06/11/2020

SOBRE 'DISCO' / KYLIE MINOGUE


Quando Kylie disse em 2019 que tinha o desejo de gravar um novo cd pop, ela não estava brincando. DISCO, seu 15° álbum (!!!), é um convite às pistas de dança - mas não somente: é um álbum que te puxa pra uma atmosfera espacial, daquelas pra ouvir de olhos fechados, viajando e sentindo as melodias crescerem cada vez mais, como um eco no meio do espaço. É esse caminho que Kylie escolheu pra reinventar o gênero mais uma vez. É disco music, é pop, é eletrônico? É tudo isso junto com aquele pedigree Kylie que a gente já conhece. Terreno conhecido? Sim, mas cheio de excelentes experimentações. 


Fotos: Reprodução/ Divulgação

Todas as músicas trazem batidas super agitadas e energéticas que conseguem, com maestria, mixar várias fases da disco e pop music. O cd não se referenda a apenas um mercado ou era musical. É um mix que extrapola qualquer tentativa de colocá-lo dentro de uma caixinha. 

A temática sobre o amor retorna novamente, mostrando a urgência desse sentimento e como ele pode nos salvar; e como a luta por amar e ser amado pode valer a pena. Aliado ao "amor", temos o "escapismo" e "esperança" como temas coadjuvantes e que formam a tríade perfeita, principalmente tendo em vista o momento atual que vivemos. 

Com vocais modernos e animados, os versos da maioria das músicas são cadenciados por batidas oitentistas com instrumentais referendados em várias décadas da música pop, inclusive a Era Disco dos anos 70. Guitarras, sintetizadores... Tudo misturado numa vibe galáctica. 

No fim, a impressão que fica é que estamos sendo invadidos por uma energia positiva sobre a vida, sobre quem somos e o que queremos com todos esses sentimentos. E a escolha é sua: ouvir de olhos fechados ou levantar pra rodopiar como não houvesse o amanhã. Essa segunda opção me parece mais irresistível.

   


 Vamos às faixas: 

A primeira, 'Magic', convida todos a se renderem a "magia" de uma boa pista de dança. Dançante e contagiante, lembra seus grandes hits dos anos 2000, como 'Spinning Around'. O refrão fica na ponta da língua rapidinho e funciona super bem pra começar o álbum.

'Miss a Thing' possui uma batida de cadência poderosa e os vocais da Kylie soam praticamente perfeitos. É tudo cristalino e sexy. Kylie não quer perder nada e arrisca. É a mulher fatal que faz de tudo para fazer valer a pena seus riscos. Lembra um pouco Donna Summer e isso é ÓTIMO. O tema "escapismo" na dancefloor ganha aqui sua primeira roupagem.

'Real Groove' continua a realçar os vocais de Kylie com batidas mais 80s. Do meio pro final um autotune nos faz lembrar algumas músicas do Daft Punk. Junto aos sussurros, temos o mood que encerra essa primeira parte, como diz o título, super groove do cd.

Foto: Divulgação


'Monday Blues' tem cara de música de verão. Mas seu refrão é um pouco poluído. O instrumental tem algo de rhythm and blues e me pareceu uma gritaria vinda lá dos anos 2000 (lembra 'Loveboat', lançada há 20 anos). Kylie novamente aposta no combo amor e música pra se livrar das "tristezas da segunda-feira". Nostálgica porém sem muito impacto. 

'Supernova' surge da metáfora das explosões brilhantes que ocorrem no Universo, comparando-as com o brilho de um amor. É uma faixa forte e bem catchy! Novamente alguns vocais eletrônicos se misturam e o refrão é pegajoso. Cara de single.

'Say Something' é a minha favorita. É o lead single mais potente desde 'All The Lovers' e chega a emocionar. Estamos a um milhão de milhas de distância, de mil maneiras/ Baby, você pode iluminar a escuridão, como uma paisagem solar - logo de início, Kylie já anuncia que o amor é transcendental e que vai lutar por isso! E sem hesitar, já emenda o refrão: Diga alguma coisa, diga alguma coisa/ Diga-me como você está se sentindo - estaria Kylie implorando por respostas? Ela defende que o amor é um sentimento dialógico e precisa dessas respostas pra sobreviver. É uma música "diferentona", daquelas que marcam por ser peculiar. É meio dreamy. No cd, parece que foi colocada para dar uma desacelerada, pra gente fechar os olhos e recuperar as energias dessa "viagem" disco que embarcamos.

 

'Last Chance' tem um quê de Bee Gees em 'Night Fever'. Palminhas e gritinhos completam o pacote perfeito pra se jogar. Aqui o escapismo, o ode às pistas e a urgência de viver intensamente se chocam. É a faixa mais próxima da era de ouro da disco, embora super original e moderna. Vocais alegres que contaigiam de prima.

Em 'Love It', a irmã de Danni, está querendo alguém pra dividir sua alegria, esperança e vontade de mexer o esqueleto. Traz tema repetitivo e beat que não se destaca frente às outras do álbum, mas cumpre o seu papel dentro do contexto.

'Where Does The DJ Go?' O que acontece quando a festa acaba? Para Kylie, o DJ continua tocando. Seria uma noite de discoteca insuficiente? O mistério por trás do DJ incita nossa curiosidade e deixa a música cada vez mais interessante. Cheia de vida, funciona como bis daquele noite que você não queria que acabasse.

Foto: Divulgação


'Dance Floor Darling' novamente a coloca dentro do cenário perfeito da discoteca. Ela não quer mesmo viver essa experiência sozinha e pergunta o que você está esperando? Venha pra pista de dança comigo! É levemente sexy e melancólica, mostra uma Kylie incansável na proposta de "dançar como não houvesse o amanhã". Na última parte, a música fica ainda mais agitada e traz um mix de sintetizadores, palmas e vocais eletrônicos. Chegamos ao clímax da noite. 

'Unstoppable', lembra Michael Jackson na fase Off the wall. Com essa inspiração, vai chegando ao fim a grande festa DISCO que fomos convidados. No refrão, Kylie arrisca uns gritinhos afinados e as batidas mais fechadas nos levam a uma atmosfera menos agitada, dando gancho pra próxima e última faixa. 

'Celebrate You' remete aquelas músicas fofas do ABBA, o que não soou a melhor forma pra encerrar o trabalho. É a única mais arrastada e sem brilho, que nos remete aos fins de festa, onde só os veteranos guerreiros continuam, bêbados e felizes, entre amigos, amores ou os dois, dançando até o último suor secar de energia. 

Disco é uma celebração às grandes amizades e um agradecimento aos fãs. A festa acabou, mas ela pode (e deve!) recomeçar a qualquer momento.

GUEST POST
por Igor Helal @insta


OUÇA DISCO!

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