20/10/2020

28 ANOS DE EROTICA

Eu tenho uma relação muito particular com Erotica, o álbum mais polêmico de Madonna. Foi com ele que me tornei seu grande fã e súdito, numa fase de descobertas e novas vivências e olha que eu ainda era um moleque. Ganhei o LP duplo lindão de presente da minha tia... o evento comemorativa em si? Primeira Comunhão. Como uma luva não?


Foto: Reprodução

Mas nem era o tema em si que o disco abordava - libertação total e consciência plena do seu corpo, estado, espírito e coração - que me enlouqueceu. Foram as músicas. Eu sempre ouvia Madonna, entre uma Xuxa e Mara Maravilha, desde criança, mas só à partir da tal Dita surgir, que comecei a prestar mais atenção no que representava aquela mulher para a cultura pop. E lá fui eu atrás do atraso. A partir de Erotica, percorri todos os álbuns anteriores lançados e comprei tudo, numa tacada só. E foi bem na época da primeira turnê que passou pelo Brasil. Não fui no The Girlie Show por motivos de idade insuficiente e mamãe não deixou.


 

Aqui Madonna começou a experimentar mais sua sonoridade e fugiu do pop que dominava as rádios da época. Vinda do mega sucesso de Justify My Love, que é quase uma prévia do que seria o Erotica, ela já podia tudo algum tempo. Sempre inquieta, a Rainha queria chegar no limite do questionamento. Ela foi aonde nenhuma cantora do seu naipe tinha ido. Tirou a roupa, falou sobre sexo e suas vertentes abertamente, lançou o livro Sex e fez uma grande "banana" para os caretas. E olha que ela já tinha simulado masturbação na turnê anterior e queimado cruzes no clipe de Like a Prayer... Ela nunca quis chocar só por chocar, sempre havia um intuito por trás. Quem não entendeu, azar.  Isso é Girl Power, o resto é blá blá blá pra vender pirulito.


 


E que disco maravilhoso é esse não? Com clipes grandiosos, arranjos inspirados, letras abusadíssimas, melodias certeiras e um groove chiquérrimo por trás da máquina de chupar o dedão do pé. O som era tão a frente de seu tempo, que o trabalho envelheceu super bem. Tirando uma ou outra faixa datada, como por exemplo Bad Girl (que possui uma obra prima dirigida por David Fincher como vídeo) e a esquecida Words, o álbum poderia ganhar luz em pleno 2020 e soar "diferentão". E pensar que em 1992 o mundo era bem menos tosco e mais interessante que esse atual. Imagina uma Taylor Swift fazendo o que Madonna fez em 92!!! Miley Cyrus até tentou mas falhou na espontaneidade. 


Todos os elogios seriam cabíveis até se Madonna estivesse cantando Papapá rebola o seu popô mas não, ela vai além do monossilábico e anal mundo musical atual, entregando arte de verdade. Uma verdadeira aula de empoderamento feminino/ gay envolta numa cultura energética, inquieta e vibrante. Da pista ao caos, da dor à claridade, do amor próprio à empatia pelo outro. Despertar a curiosidade! Também fala sobre a dor de perder um grande amigo vítima da AIDS, sempre um tabu.

 

Vale destacar as impecáveis canções como Rain e seu hipnotizante clipe, o cover esquisitinho e frenético de Fever, o baixo acentuado e sombrio de Erotica e a delícia minimalista de Secret Garden.

Jamais podemos esquecer também, que daqui saiu uma de suas melhores criações, Deeper and Depper. Só com isso, já devemos ajoelhar aos pés dessa mulher e agradecer por tudo e mais um pouco. Um single icônico, apoteótico e hinário, embalada num disco precioso sobre liberdade, acima de tudo e cagando pra opinião de todos. 

Be my mistress para sempre.


OUÇA EROTICA!

Nenhum comentário:

Postar um comentário