03/06/2020

SOBRE CHROMATICA


Lady Gaga deixou seu lado poser vaqueira e jazz chiquetoso para trás, deu um giro de 360 graus e voltou às suas origens: pista de dança. A grande diferença em é esquecer os versos vazios de Just Dance e entrar nessa pista fermentada de auto conhecimento, engajamento e piso forte. Quanto maior o salto, melhor o carão (do bem). 

Foto: Divulgação

Stephanie quer colocar todo mundo pra dançar como manifesto de união, seja você, desde que seja... você mesmo! A mensagem é: há beleza em tudo, mexa o seu esqueleto e ouça meus anseios, dramas, fantasmas, confissões, arrebatamentos e conselhos no meio disso tudo. Talvez alguns deles sejam os mesmos que os seus. E assim nasceu a Era Chromatica, mais yag do que nunca, ultra colorida, campy, sem momentos de respiro, sem baladinhas... quase uma paleta de sombras ultracolorida (sim, Gaga também vende maquiagem agora). Put your make up on e seja feliz.


Foto: Reprodução fan made

Esqueça essa bobagem de sistema, constelação, tralálá de planetas mil que é "o conceito" por trás - mesmo os símbolos de cada um serem maravilhosos e só se joga. As Nações Unidas de Gaga não é inoportuna e chega num momento que o mundo precisa de alguma positividade no meio do caos que habita. A pele que liberta. A força que une. A gravidade ou a falta de é mero acaso. Lady Gaga de cabelo rosa é tudo.


Reprodução: Instagram

FAIXA A FAIXA

CHROMATICA  I
Interlude orquestrado sem qualquer inspiração ou ligação com o disco, que podia ser tocado entre anúncio de um prêmio e outro numa noite de premiações do Oscar. Auto referência é tudo. Vacilo.

ALICE
Aqui Gaga já deixa bem claro as influências noventistas de Chromatica. Uma boa música que cresce a cada nova audição. Não reinventa a roda mas dá um bom giro. Tem cara de single.

STUPID LOVE
A mais bobinha de todas e eu amo. Uma das melhores batidas do disco. Escolha óbvia como primeiro single, funciona como cartão de visita introdutório. É minha favorita mas está longe de ser a melhor. As letras de livro de auto ajuda barato não facilita muito também.






RAIN ON ME FEAT. ARIANA GRANDE
O hino que as gays tanto pediram e já aclamaram. Deve ser o maior êxito do álbum, tanto que estreou direto no primeiro lugar da Billboard HOT 100. Ariana Grande é a grande estrela pop da vez e tudo que toca vira ouro. Gaga gênia. Chiclete safado dos bons. O videoclipe já nasceu icônico.

FREE WOMAN
O peso da letra não recebe seu tratamento. É sobre abuso sexual. É libertador mas não tem princípios de hino. o arranjo é quase ingênuo entupido de clichês.

FUN TONIGHT
A música com menos fôlego de pista e mais introspectiva do bando. É sobre lidar com os anseios da fama e como isso pode interferir no seu relacionamento amoroso. Às vezes amo, nas outras, acho uma bobagem. Talvez um refrão mais poderoso fizesse a faixa ir para uma categoria mais 'uau' factor. É meio preguiçosa mesmo tendo bela melodia.





CHROMATICA II
Dispensável. Fecha as cortinas, vídeo impacto e troca o figurino. 

911
Mais Gaga impossível. É sobre remédios psiquiátricos, equilibradores químicos de cérebro, cuide da sua saúde mental. Aqui finalmente ela flerta com o diferente e entrega uma das mais faixas mais emblemáticas e esquisitas (no bom sentido). É a Gaga do passado papeando com a Gaga do futuro.

PLASTIC DOLL
The Fame Monster deixando rastros aqui. Qualquer coisa. Merecia ser esquecida no churrasco pois é nitidamente uma sobra de estúdio de outrora.

SOURCANDY FEAT. BLACKPINK
É K-Pop quando tem que ser. É Gaga quando chega sua vez. Uma mistura danada de boa. A lenda é esperta o suficiente para saber como engajar seu nome no meio das mais novinhas. É Swish Swish (ok - o - mesmo - sample), Ace Of Base na veia e tudo nessa vida. Eu amo e não é pouco. Quero videoclipe babadeiro pra já! Coloca essa Casa para trabalhar.

ENIGMA
Lembra a Era Born this way e isso é um mega elogio.

REPLAY
Esquisita e Gaga em todo seu DNA. É mágica, Basement Jaxx, disco vibes, ABBA, beat acelerado, quase indecifrável. Aqui a Mamãe Monstro entrega todos os caminhos de uma experiência dance completa. Imagina a performance disso! Vibrando desde já.


Milituda


CHROMATICA III
Zzzzzzzzz

SINE FROM ABOVE FEAT. ELTON JOHN
Construção épica, super Eurovision, batidão de cabelo e parceria inusitada - jamais ouviríamos algo assim sendo cantado por Sir Elton John. Acho meio confuso no final e tenho mixed feelings total em toda a experiência e isso a música é, uma experiência. Às vezes parece incrível-potente-cativante, em outras, cafona-datada-barulhenta-desesperada. É a linha tênue do caos e a reverberação. Polêmica e isso é bom. Não sei. Você decide.

1000 DOVES
Parece que pegaram todas as anteriores, colocaram no liquidificador e saiu essa chatice insuportável. Hora de sair da pista e pegar um drink na cozinha. Fique em casa.

BABYLON
Ai, é plágio de Vogue. Não, não é. Mas obviamente Gaga está mal intencionada e eu amo! Desfile ao estilo de cidade antiga. Category is... Aliás, já assistiu Legendary?


Foto: Divulgação

Gaga voltou para o seu melhor, repleta de ideias boas, algumas batidas, claro. Buscou parcerias relevantes para rejuvenescer seu clã, fez um som para alimentar sua fan base fiel e recebeu das Grandes Mães, a benção definitiva com presença de Lenda Viva Queer (imagina se fosse Cher ou Madonna aaaaaaaaaaaaaa). A identidade visual de Chromatica, que é de fato, perfeita, já vem pronta para uma turnê incrível (ou jockstrap à venda no site oficial da cantora) que aguarda uma luz verde em tempos de pandemia. Pega carona nessa cauda de cometa, ver a Via Láctea, estrada tão bonita, brincar de esconde numa nebulosa, voltar pra casa, nosso lindo balão azul (rosa, no caso). Lady Gaga é o próprio cometa.   


OUÇA CHROMATICA!

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