26/03/2020

SOBRE O HOMEM INVISÍVEL


O Homem Invisível do escritor H. G. Wells foi publicado em 1897 e focava na obsessão de um cientista em querer inventar a fórmula da invisibilidade e sua chegada num pequeno povoado cheio de ataduras e bizarrices. Na versão de 2020, o livro é só breve inspiração e tampouco se espelha nos outros filmes baseados na obra. O ponto de vista aqui é o estudo e traumas em relacionamentos tóxico-abusivos, no papel da vítima, vemos o tema da invisibilidade como poder, autoritarismo e perversão.  

Foto: Divulgação

Estrelado por Elisabeth Moss, soberba no papel, o clima de tensão é construído com precisão. Não há questionamentos psíquicos, o thriller não é psicológico, é terror dos bons e a narrativa é direta. Acompanhamos o medo constante no olhar angustiado da personagem Cecilia e as cenas de abuso jamais são mostradas explicitamente, apenas apontadas num breve dialogo. E nem precisaria mostrar. A expressividade da atriz já transparece o motivo de sua constante paranoia ser totalmente compreensível.




O design de produção também é espetacular - a mansão representa muito bem a dinâmica de poder do macho escroto psicopata, tal como uma torre no alto, em total isolamento, ele mastiga sua posse. A fotografia também merece destaque,  principalmente nas escolhas dos enquadramentos da câmera. Você sente a presença sem ouvir uma respiração sequer, mesmo quando a presença é fantasmagórica. 

Assistir O Homem Invisível é sentir-se personagem dentro da história, o diretor nos coloca como uma terceira pessoa nas cenas, sempre com sua câmera jamais subjetiva. O peso que a personagem sente em seus ombros é nosso, assim seus medos, angústias e pesadelos - jamais a perdemos de vista e, isso é a prova nítida de um trabalho consciente e acima de tudo, poderoso.



   

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