12/02/2020

SOBRE O FILME DA ARLEQUINA


No meio daquele desastre chamado Esquadrão Suicida, nos apaixonamos por Margot Robbie e sua alucinada Arlequina. Não demoraria para que um filme só dela fosse lançado, ainda mais com o sucesso de Deadpool, Shazam e Coringa, projetos de super heróis com linguagem e vida própria, que fugiram da fórmula do boom do gênero.




Harley Quinn agora está solteira, levou um pé na bunda do afetado Coringa de Jared Leto e quer encontrar um rumo para chamar de seu. A confusão sempre perseguiu a maluquinha, ainda mais que ela sempre amou tal condição, de atitudes inconsequentes com o aval e proteção do ex. Sem esse escudo, ela vira alvo e tem um monte de gente querendo se vingar.

Esse é o ótimo começo, gente querendo acerto de contas, enquanto a anti-heroína narra os devaneios de um breve passado e dribla de um ataque ou outro. A cena envolvendo um certo pão com ovo é simplesmente maravilhosa. Mas quando surge o plot do diamante, a confusão descadeia e logo surge o caos ~ quase ~ controlado, colorido, violento e seus personagens estranhos, jogados num enredo sem pé nem cabeça.


Foto: Divulgação

Claro que o longa diverte e jamais se leva à sério, mas assim como seu título Aves de Rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa, é quase ridículo. Algumas situações são impossíveis de "engolir" e as mudanças comportamentais de alguns personagens questionam a habilidade mental dos roteiristas. Atenção máxima na cena do "canto mortal". 

Ewan McGregor está patético com esse vilão cartunesco que deram pra ele, a policial não passa de uma tonta, a Caçadora é uma coitada com figurino horroroso, as outras duas mmm... até que são legais rs. Margot Robbie segue roubando a cena e sim, ela está em todas. TODAS. Estranhamente podaram seu lado malvado - gente, ela é sádica e não tem essa auréola que obrigaram usar.


Foto: Divulgação Warner

O viés feminista é bem sucedido, as cenas de luta são bem orquestradas, o design de produção é incrível, assim como todos os looks que Arlequina usa - ideais para virar uma coleção exuberante da Funko Pop! Mas o roteiro é mediano e precisa de ânimo para embarcar nessa intitulada emancipação. É uma mistura de bons momentos, num projeto bem intencionado mas que não consegue fugir da vergonha alheia, mesmo tendo essa intenção crazy vibes.

E sim, é melhor que Esquadrão Suicida mas isso não quer dizer muita coisa. Nessa nova incursão, o desastre não é completo e uma pipoca salva, harmonizando muito bem com as loucuras dessas Spice Girls numa Gothan City oposta do universo do Batman. Parece cidades completamente diferentes.

Em tempo: diante de uma bilheteria insatisfatória no seu final de semana de estreia ("apenas" 33 milhões de dólares nos EUA), o estúdio mudou o nome. Agora é Arlequina em Aves de Rapina. Mas diante da "consagração" de pior estreia de um filme de super heróis, algo me diz que essas aves vão perder todas as suas asinhas. 

Uma pena pois daria para consertar tudo numa continuação.


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