13/01/2020

SOBRE 'RARE' DE SELENA GOMEZ


Selena Gomez é canceriana, nascida em 22 de julho, bem no último dia do signo, pode-se dizer assim que ela é quase leonina. Essa transição de Câncer para Leão diz muito sobre esse seu jeitinho de ser e consequentemente sobre seu novo álbum, Rare, lançado na última sexta-feira.  Como sou astrólogo de botequim, deixaria essas explicações para a próxima rodada de litrão - não acordei no mood de ser atacado por Selenators ou Gomeztics, não sei qual o nome da fan base de Selena. Se alguém souber, fala aí na terceira rodada de litrão.

O disco é a expressão quase máxima do poder de Selena no mundo midiático de hoje. É uma explosão de diversidade, sub gêneros, filtros, pequenas confissões, famosidade expressa, dores e tutoriais. Tudo condensando numa produção de luxo e extremamente adequada. Há gênios por trás do produto, mentes que souberam lidar com a limitação vocal da cantora. O jeitinho de Selena em Rare vira marca registrada. As limitações viram sucesso de branding. A delicada identidade visual acompanha toda a proposta. Selena é uma versão mais veloz de Lana Del Rey, tipo Lana tomando energético Light num recital de poesia. Calma, isso foi um elogio. Foi uma comparação metidinho à espertinho só. 



Abrindo gloriosamente com Rare, Dance Again e Look at her now, o álbum é pura expressividade com baixos marcados, arranjos vocais muito bem orquestrados e uma subversão do pop básico deliciosa. Essas três faixas deveriam ditar o ritmo de todo álbum mas há variações que quase estragam tudo. O miolo do cd é muito esquisito, quase ruim. Tem músicas insuportáveis (Kinda Crazy), confusas (Fun) e completamente desconexas (Lose you to love me). Também há uma evidente desorganização na ordem das faixas, o diálogo se perde facilmente, consequentemente, nosso interesse. A última, então, é um show de horrores. A Sweeter Place com Kid Cudi é ovo podre.   

Mas o forte começo e algumas boas músicas perdidas entre a excelência e o puro desleixo fazem de Rare um êxito. Não sei se será lembrado ao longo do ano, 2020 pretende despachar grande lote de novas coisas (Rihanna, Lady Gaga, Adele...) e aí algo dito tão raro, pode se transformar em algo qualquer.  


OUÇA RARE.

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