16/01/2020

SOBRE O 'SEEKING THRILLS' DA GEORGIA


Não se engane com a cara de paisagem de Georgia, ela é musicista e produtora de longa data no cenário da música britânica e sabe muito bem o que está fazendo. Com passagens como baterista de algumas bandas, a filha do co-fundador do Leftfield, vem garimpando seu lugar nos holofotes junto aos grandes nomes da música eletrônica indie. Conseguiu certo prestígio com seu primeiro álbum homônimo de 2015 e aqui busca mais uma vez sua própria voz ou como diz o título do disco, emoções.  

Talvez de tanto que buscou, não encontrou ainda sua identidade propriamente dita. Várias faixas de Seeking Thrills soam exatamente como os mesmos nomes que Georgia quer dividir os louros da fama. Não que o resultado seja desastroso mas beirando nesse pseudo abismo de quase se declarar copycat, ela perde muito a oportunidade de brilhar. Sobrou inspiração nas referências. 

Temos Robyn em excesso, inclusive imitando o jeito de cantar da divindade sueca. Temos Tegan and Sara. Temos M.I.A. Temos CHVRCHES. Temos a grávida Grimes. Santigold? Temos também! Temos Sophie versão comercial. Temos até Victoria Beckham. Não sei o que é pior ser comparada com o disco solo da ex-Spice Girl ou conhecer como são as músicas daquele projeto desgraça.





O disco começa lá no alto e junto com as nossas expectativas, derrapa e se perde. Talvez a autenticidade da própria que afirmou ter deixado para trás, no último ano, bebida alcoólica, café, carne, drogas e glúten, ficou por lá também.  O que vai de desencontro direto com a sua essência de querer homenagear a vida noturna.

"Eu fiz essa música depois de um final de semana em Berlin, dançando o tempo todo em várias boates. Percebi como a pista de dança é importante para trazer alívio ao cotidiano estressante das pessoas". Tal afirmação é sobre a maravilhosa About Work the Dancefloor, prima de primeiro grau de Dancing on my own (Robyn).




Se é desencontro ou não, Georgia segue contente dançando com seu suco verde na mão e Hambúrguer do Futuro na outra. E tudo bem, ela está mais do que certa em querer mudar seu estilo de vida e consumo. Mas talvez isso não tenha sido suficiente e ela precise buscar mais emoções dentro de si e não num certo estilo de vida chamado músicas dos outros. 




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