03/01/2020

SOBRE CATS


Não liguei para as severas críticas que a versão cinematográfica do bem sucedido musical Cats vem recebendo e gastei meu suado dinheirinho numa sala com a maior tela, no último dia do ano. Teimosia estúpida ou falta de amor próprio? Quem liga? Aí começa o tal filme, uma gatinha abandonada vai parar num beco escuro porém colorido e os gatóides começam a cantoria. Ok, de fato, o CGI ficou bem esquisito e as proporções gatos x objetos é uma tortura. Mas, nossa, que exagero desse povo, nem e tão ruim assim.  Lego engano. Era só a subida da montanha russa. A queda viria e bem rápida.

A gata preguiçosa gorducha aparece do nada e surgem umas baratas felizes, mesmo sabendo que poderiam ser (e são) devoradas pela gatuxa. Rebel Wilson faz dessa gata, a "pessoa" mais insuportável e idiota do rolê. O roteiro também não ajuda, o timing cômico é patético. E as músicas possuem zero emoção. Não sei nada sobre o musical mas achei as canções bem tolas. Logo, não haverá qualquer tipo de comparação com a obra matriz. E jamais haverá. O trauma é real.

Tudo vai piorando com o passar do longa. Além de porcamente feito, o musical é chato e incômodo. É como se nascesse uma espinha no meio do rego. Sim, essa é a sensação de assistir Cats, uma espinha gigante entre as nádegas. Mesmo vulgar,  não existe outra comparação cabível.

Foto: Divulgação Universal

Tem gato que anda de quatro. Tem gato que anda feito humano. Tem gato de botas. Tem gato de roupa. Tem gato que parece cachorro. Tem gato com pata. Tem gato com pés humanos. Tem gato com mão peluda. Tem gato com mão depilada. Tem gato de aliança mágica, o objeto aparece e desaparece inúmeras vezes. Tem gato com casaco de pele (pele de gato?). Tem gato com barriga de urso. Tem gato de tudo que é jeito, menos gato com peito. Mesmos assexuados,  é uma orgia, só que do caos.

É CGI ou collant?

Jennifer Hudson, a pior em cena, sempre aparece de cantinho, com cara de tonta e ranho no nariz. Ela também consegue a proeza de estragar a grande música do ""espetáculo"" (duas abas de cada lado, sim), oversinging cada palavra da letra, atropelando a melodia. Um horror de canto desesperado, sofrido e patético - será que ela estava sonhando com o segundo Oscar de papel coadjuvante? O importante é acreditar. Mas o fiasco está longe de pairar somente em suas mãos. Não lembro mais se as delas estavam ou não com pelos.




Pasme: nem Judi Dench e Sir Ian McKellen se salvam. Ambos estão medonhos. Aliás, suspeite e muito quando a melhor coisa de um filme é a aparição de Taylor Swift, cuja função é jogar glitter na gatada toda.

E sim, Cats se passa numa Londres onde não mora ninguém. Hahahaha!

Resumo: Cats é um desastre completo! Projeto apressado, com escolhas preguiçosas, danças sonolentas, CGI nojento, uma desgraça sem fim. Vai ganhar um monte de Framboesa de Ouro e merece ser riscado da história do Cinema. Um marco negro na carreira de todos os envolvidos e o prejuízo previsto de 100 milhões de dólares é merecido. Vale como aprendizado.



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