30/01/2020

#OSCAR2020: SOBRE 'FORD V FERRARI'


Como diria Tati Quebra Barraco: cê não tinha nem que tá aqui, linda! Essa é a sensação ao saber que Ford V Ferrari emplacou uma vaguinha na categoria principal, no lugar de trabalhos superiores como O Farol, Nós ou The Farewell, completamente ignorados nesse Oscar. Mas como a maioria dos votantes da Academia é homem hetero branco na faixa dos 60 anos e Velozes e Furiosos nem filme é, obviamente escolheram um que celebra a masculinidade, década de 60 (quando eram jovens) e velocidade mil.  Se for baseado em fatos reais, melhor ainda. 

Foto: Divulgação

Mas é ruim? Claro que não. É ótimo entretenimento, tecnicamente perfeito e cabe muito bem como filme de fim de noite. O elenco estrelar ajuda nesse processo de diversão. A história verídica, como já dito, nem é tão interessante assim. Sente o draminha. Magnatas bilionários da indústria automobilística se duelam nas corridas de carros esporte para ver quem é o mais f**ão do rolê. O presidente da Ford decide investir pesado na competição porque o Poderoso Chefão da Ferrari disse que ele não passa de filhinho de papai. Masculinidade frágil, temos aqui.




Aí entra Matt Damon, ex-estrela das pistas, como desenvolvedor do carro, que vira e mexe entra em conflito com a diretoria da Ford, já que o piloto Christian Bale não tem perfil galã influencer. Acompanhamos todo esse processo de construção, teste e blá blá blá. Parece hetero demais esse plot? Nem é tanto assim, a narrativa é dinâmica e os dramas são - quase ~ universais. E as cenas das corridas são bem legais.

Não entendi porque Christian Bale foi indicado para várias premiações - ainda bem que ficou de fora do Oscar. Sua performance limita-se a fazer papel de ogro caipira grosseirão porém ótimo pai e excelente humano por baixo de toda essa casca. Sua interpretação é toda no esteriótipo e o sotaque inglês desmorona em diversos momentos. Curiosidade: a sua esposa é interpretada pela moça viajante de Outlander.

Você quer Brokeback Mountain? / Foto: Divulgação

O filme sofre com a duração - são 2 horas e meia  - e um corte de 40 minutos faria um belo upgrade.  Falta também comoção, as cenas que deveriam emocionar, não cumprem o requisito. Incomoda também retratarem os italianos como vilões e os norte-americanos, grandes heróis dignos. 

Assistimos interessados o desenrolar de tudo, do desenvolvimento ao ápice da corrida Le Mans, prova que dura 24 horas. Subiu os créditos, já esquecemos tudo. 


#OSCAR 2020 - 4 INDICAÇÕES
Filme, Edição de Som, Mixagem de Som e Edição.

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