23/01/2020

#OSCAR2020: SOBRE ADORÁVEIS MULHERES E AUSÊNCIA DE GRETA


Ao longo das semanas até a cerimônia do Oscar, vou postar minha sincera e acalorada opinião sobre todos os filmes indicados ao prêmio de melhor filme. Com seis indicações na conta, conferi ontem nos cinemas a nova versão para o clássico literário com mais de 100 anos de publicação, Adoráveis Mulheres (Little Women). Era preciso entender (ou não) os porquês da comoção em torno da obra depois de tanto tempo e das inúmeras categorias que o filme concorre. E afinal a ausência de Greta Gerwig como melhor direção foi injustiça da Academia? 

Reprodução: Instagram

A história, de fato, ainda possui apelo muito grande, principalmente para as mulheres. Quatro irmãs tentando sobreviver durante a Guerra Civil Americana é emponderamento genuíno, ainda mais naquele época, onde os direitos das mulheres eram restritos e viver sem um homem era quase suicídio econômico. O livro é auto biográfico, a proximidade sempre existiu e esse sempre foi o maior êxito da belíssima obra. Greta Gerwig disse que o principal motivo de querer fazer uma nova versão, era mostrar a força do feminismo e a necessidade de união e irmandade. Nenhum direito conquistado é direito garantido. Lembre-se que enquanto você lê essas linhas, tem gente no Poder querendo tomar os poucos direitos que você possui. 

Mas mesmo com as intenções mais sinceras e o amor real pela obra. Algo ficou desconexo nessa versão de 2019. Não entendo o clamor da maioria dos críticas (o metascore no IMDB está acima de 90). De fato, o filme é muito bem feito, conduzido e dirigido. Faltou, entretanto, ousadia no formato. Precisava inovar em alguma coisa, não na história propriamente dita, isso seria sacrilégio, mas algo na edição ou nas composições dos flashbacks.




O elenco estrelar traz prestígio mas nenhum nome vale uma Indicação, muito menos Saoirse Ronan que está apenas correta no papel principal. Laura Dern como matriarca é o elo fraco e Meryl Streep consegue entregar, pasme, uma performance medíocre. Ela seria o alívio cômico mas todas suas "tiradas" são forçadas, parecendo cópia de Maggie Smith em Downton Abbey e falhando miseravelmente no processo.

O maior problema de Adoráveis Mulheres nem é a sua longa duração (um corte de 30 minutos faria muito bem), é a falta de emoção. Algo fica desconexo da metade até o final e a ligação que tínhamos com os personagens se perde em vários momentos. Uma coisa meio maçante sabe? A reconstituição de Época é esplendorosa e essa sim, jamais cansa.

Um filme correto de história irretocável que não sei se precisava necessariamente de mais uma adaptação - a de 1994 com Winona Ryder e Susan Sarandon é melhor.  Não é título obrigatório e sua presença no Oscar é mais lobby do que merecimento. Justifico e endosso a ausência na categoria de melhor direção. O trabalho anterior de Greta é infinitamente superior, ela escreveu e dirigiu Ladybird, esse sim, seu Little Women.


#OSCAR2020 - 6 INDICAÇÕES
Filme,  Atriz (Saoirse Ronan), Atriz Coadjuvante (Florence Pugh), 
Figurino, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora.

Um comentário:

  1. discordo total, achei o filme ultra sensível e lindo. daria nota 9.5

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