06/12/2019

SOBRE O ROMANCE DE CAMILA CABELLO


Geralmente o segundo disco de uma cantora pop já estabelecida no hall de grandes estrelas do gênero inova e prepara o terreno para o que estar por vir. Casos como Lady Gaga, Madonna e Christina Aguilera exemplificam muito bem essa validação de carreira, experimentação musical, identidade própria e olho clínico mirando o futuro. Romance, segundo disco solo de Camila Cabello é quase isso mas parece que faltou coragem.



É um disco preocupado demais em agradar ouvidos fáceis e viciados numa fórmula desgastada do pop adolescente. Sim, mesmo Camila sendo uma jovem mulher, a sua experiência não reflete muito nas suas novas músicas ou talvez ela não tenha vivido tanto assim para fazer um disco sobre amor.


Reprodução Instagram

Eu queria que este álbum falasse sobre como é se apaixonar, coisa impossível de se fazer, mas eu posso dizer que tentei ao máximo. Nunca vivi tanto a vida enquanto eu escrevia este álbum. Foi caótico, bonito, inesquecível e às vezes dolorido (...) Foi algo que me consumiu terrivelmente e era impossível não se perder..." 
Camila.




Se o consumo foi tão intenso como ela diz, algo está desconexo. Camila precisava buscar no âmago do seu ser uma inspiração mais violenta (no bom sentido) e galgar experimentações raízes. Não que ela devesse se entregar ao batido/ chato reggaeton mas os objetivos desse álbum tinham que ser explorar, brincar, ousar, conhecer. Enquanto parece querer fugir de suas origens latinas no contexto musical, essa contramão vai de frente com o que a catapultou para o sucesso com Havana e a mais recente Senorita, atrapalhando e muito com que Camila voe.

O amargor de Romance não é possuir grandes problemas em sua estrutura e sim, apostar no básico numa artista que tem muito mais para oferecer. Uma paixão de verão jamais será um grande romance. E no fundo, Cabello sabe disso.


OUÇA ROMANCE.

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