10/12/2019

SOBRE O MENU DEGUSTAÇÃO DO ESTRELADO RESTAURANTE MANI


Depois de visitarmos A Casa do Porco, o único restaurante brasileiro que está na lista dos 50 melhores do mundo, resolvi retornar ao Mani e provar o menu degustação 8 anos depois da minha primeira visita. O Mani tornou-se uma potência no mundo gastronômico, possui filhotes como o Manioca, versão menor da nave mãe, Padoca do Mani e Casa Manioca, espaço de eventos com menu assinado por Heleza Rizzo. 

Helena acumula alguns prêmios como melhor chef mulher em 2014, uma Estrela Michelin e atualmente o Mani ocupa a posição de #73 na lista dos melhores do mundo e de #18 da América Latina. Meu retorno, ao menu degustação, no entanto, foi decepcionante. Uma amiga minha chamou de "deplorável".

Tirando os erros grosseiros do serviço, que irei relatar ao longo do post, os pratos em si, deixaram a desejar. A cozinha do Mani é uma fusão de cultura oriental, francesa e brasileira. Essa alquimia é presente em todos os pratos e um dos maiores destaques é a precisão na construção de seus molhos. Mas faltou presença e sabores marcantes. Dos 13 pratos servidos, me lembro mesmo de uns 3. 

Foto: André Mans

Primeiros pratos do menu Esfera com cachaça de caju que explodia na boca, super delicado e com apresentação linda - vem nessa caixota com gelinhos. Dois amigos meus receberam as esferas "premiadas", estouraram antes do tempo.  Nada demais, gostosinho e só. Já comi melhores e similares por aí. O ceviche de caju estava sensacional, odeio caju e a fruta fica com gosto e textura de peixe, a acidez era destaque. Essa tortilha de milho foi a favorita de muita gente e de fato, uma boa surpresa - vinha com formigas mmmm. Dobra-se tudo e manda ver. O ultimo prato da foto era ouriço do mar (meio apático) e ao lado, melancia com queijo de cabra e caldo de peixe. Uma mistura que não casa de maneira alguma. Esse prato foi servido errado para meu amigo que é alérgico a peixe, sem qualquer tipo de aviso. Ele comeu e passou mal, obviamente. Esse tipo de erro é inadmissível em qualquer restaurante. N,o caso do Mani, imperdoável. Mas o serviço já começou confuso, não seria diferente no restante da noite.


Foto: André Mans

Dando sequência, tempura de camarão rosa com quiabo e molhinho de coentro com alguma coisa (esqueci). Incrível, comeria uns 100. Esse também foi servido errado, deixando um amigo meu de fota, a fritura era servida em par e foi servida erroneamente no outro lado da mesa, super apertadinha para 12 convidados. Erro perdoável porém infundado. Brócolis com molho de vôngole, o melhor prato da noite porém servido na louça errada, sobra muito molho, a grande estrela do prato e dá vontade de recorrer à língua. Esse verde, esqueci o que era, logo não deve ter sido uma experiência boa. O último era uma pescada amarela assada na folha de taioba, esse sim, um prato à altura de um restaurante estrelado.

Foi nessa etapa que um erro mais que grosseiro foi cometido. Um dos pratos chegou com fio de cabelo!!! Imagina um episódio de Pesadelo na Cozinha, então... Prontamente trocado, o pedido de desculpas, na hora, veio através de um convite para conhecer a cozinha. Ok.

Fotos: André Mans

A parte final seria a pior, salva por um pescoço. O lagostim foi servido completamente fora do ponto de cozimento, cru. Era impossível de cortar com a faca, vinha todo borrachudo e a textura não era agradável. Sério, como pode errar o ponto de um produto tão caro e delicioso? Que raiva! A única carne vermelha seria o pescoço de carneiro com iogurte de cabra, intenso e um dos poucos pratos inesquecíveis do menu. O molho fazia chorar de tão bom. As sobremesas, três no total, apostavam mais na textura do que na criatividade. Todas eram à base de chá! TODAS. Eram boas? Duas delas. Mas não fechou o menu como deveria fechar. E foram as mais polêmicas, alguns amigos gostaram e outros odiaram. Eu achei pretensiosas e preguiçosas: todas eram sorvete!

A experiência como um todo não condisse com o que preço que é cobrado. Por isso, o descontentamento. Eu optei por harmonizar os pratos com vinho, foram servidas 9 bebidas. A quantidade era risória e nenhuma taça acrescentava nova paleta de sabores aos pratos. Ao questionado, a origem de um  dos vinho, apenas servido sem qualquer informação adicional, o garçom não sabia informar e foi atrás da informação. Quando é feito harmonização, todo vinho deve ser prontamente apresentado, origens, notas, etc. Além do timing entre servir a bebida e o prato, ser duvidoso. Às vezes chegava o prato e não tinha bebida ou vice-versa. Nenhum vinho encantou. 

Lembrando que os posts de restaurantes são do ponto de vista do cliente. Não sou crítico gastronômico mas frequento restaurantes sempre que possível, na minha cidade e quando viajo. Acho um dinheiro bem gasto pois em nesses casos, comer fora não é sobre comida apenas, é a experiência como um todo. Menu degustação é a maneira que o cozinheiro demonstra sua jornada e sua essência como chef de cozinha. Eu fiz o menu degustação no Mani uns 8 anos atrás e a experiência foi mágica. Essa recente teve um serviço catastrófico que pode ter roubado a excelência de alguns pratos, já que é impossível separar uma coisa da outra, você paga por tudo, pela dança entre um prato e outro.  

Mas mesmo assim, se desconsiderarmos o serviço quase amador, estranhamente prestado naquela noite, tanto que a diretora do Grupo Mani entrou em contato comigo, pedindo desculpas com convite para retornar ao restaurante com muita educação, indignação e cortesia, os pratos não eram tão incríveis assim, tinha uma desconexão e alguns erros. Caso você não conheça ainda o Mani, sugiro que vá e opte pelo menu a la carte. Existem opções de menu degustação muito melhores em São Paulo como Clandestino da Bel Coelho, Tuju (duas estrelas Michelin),  DOM do Alex Atala (também duas estrelas Michelin) e Evvai, recentemente agraciado com uma estrela,


MANI | SITE
R. Joaquim Antunes, 210 - Jardim Paulistano, São Paulo.SP
MORRE QUANTO? 
R$ 470 p/pessoa (menu degustação)
R$ 710 (menu com harmonização vinhos)

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