23/12/2019

SOBRE BRAD PITT ASTRONAUTA EXISTENCIAL


Ad Astra - Rumo às estrelas passou despercebido nos cinemas e o buzz foi quase nulo. Todo o questionamento levantado pelo personagem de Brad Pitt morreu, explodindo feito uma estrela. Uma pena pois o drama que usa elementos de ação e ficção científica merece ser apreciado. O debate nem se faz necessário, o drama existencialista é do personagem apenas. A gente só acompanha a jornada rumo ao desconhecido em nome da libertação. 

E nisso o filme triunfa de maneira espantosa, é lindo, abrangente e mergulha no vazio abrindo espaço para a imensidão, numa metáfora óbvia, mas nem por isso, menos importante. Num futuro onde viagens interplanetárias são corriqueiras, vimos a Terra passar por ameaças devido às sobrecargas eletromagnéticas que aparentemente estão vindo de Netuno, o planeta mais distante do sistema solar. O pai do personagem de Brad Pitt, também astronauta, perdeu-se no Espaço décadas atrás numa dessas missões e tudo diz que é ele que está causando tamanho desastre. E lá vai o filho do pai rumo ao desconhecido, lidar com o abandono e fantasmas do passado. Distância: bilhões de quilômetros. Dá trabalho lidar com a figura ausente do pai (Tommy Lee Jones).




Mesmo com algumas bobagens filosóficas, Brad Pitt narra feito Lana Del Rey em videoclipes conceitos, Ad Astra mesmo demorando a engrenar, quando engata, entrega uma obra de arte em toda sua essência e plenitude. É sobre família, libertação e vida - o Espaço nunca esteve tão poético, belo e assustador. 

As cenas, de aparato técnico admirável (o filme teve consultoria direta da NASA) são extremamente bem dirigidas e conduzidas com maestria pelo diretor. Pitt também está muito bem num papel que não depende apenas do carisma do ator. Aqui ele está cansado, apático, sub existindo. E o filme, ao contrário, explode às nossas vistas, nos fazendo perceber o grande filme que Ad Astra, de fato, é. 

Spoiler alert: a Terra não é plana.


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