27/11/2019

SOBRE A CASA DO PORCO BAR, ELEITO UM DOS 50 MELHORES RESTAURANTES DO MUNDO


Iniciando os trabalhos de uma nova seção aqui do Blogy Blogy Blogy, chamada COMIDINHAS. Eu, como ávido consumidor de bons restaurantes, farei posts dos lugares que visitei ao longo dos anos. Então prepare-se para termos como suculência, equilíbrio, acidez... rs. E todo post, será do ponto de vista de cliente e não de critico gastronômico, coisa que não sou mas adoraria ser.

O primeiro post será sobre a visita que fiz essa semana no restaurante A Casa do Porco Bar, um lugar já extremamente hype em São Paulo, que nesse ano foi eleito um dos melhores restaurantes do mundo pela mais importante lista do segmento: The World's 50 Best Restaurants. Ocupando a posição de #39, o restaurante liderado pelo chef  Jefferson Rueda que vira e mexe é convidado de competições culinárias, é o estabelecimento brasileiro mais bem rankeado e único no top 50, na frente do D.O.M do renomeado Alex Atala (duas estrelas Michelin) e do Mani da grande chef Helena Rizzo (uma estrela Michelin). Lembrando que A Casa do Porco não possui estrela Michelin mas está no Guia como restaurante altamente recomendado. 

Foto: Divulgação A Casa do Porco (Facebook)

Como o nome já diz, Rueda quis montar um restaurante que celebrasse a carne suína, desmistificando sobre. De origem rural, o chef montou um cardápio abrangendo todas as possibilidades deliciosas que um bom porco pode proporcionar, com animais bem criados e produtos oriundos de pequenos produtores ou produzidos por sua própria equipe como embutidos e linguiças. Uma coisa em comum todo grande restaurante possui: foco total no ingrediente e sua origem.






O restaurante faz jus ao Bar que leva no título, o clima é de total descontração e há muitas mesas coletivas. Com decoração que lembra um grande mercado de comidinhas e afins, a equipe é atenciosa, educada e usa o avental de couro preto mais lindo do mundo. Não é grande e aos finais de semana, sua fila de espera chega em 3 horas. Por isso, fuja dessa possibilidade. Dia de semana é sempre mais tranquilo, o que não significa vazio. O lugar tá sempre lotado. Eles não fazem reserva.  

Escolhi fazer o menu degustação que sempre é o jeito mais divertido para comer e conhecer a proposta do lugar - quando for, se tiver e puder, opte por participar da degustação. São 9 etapas com entradas, pratos principais e uma sobremesa. Vou falar sobre cada prato e no final dou muita nota e considerações finais.

Foto: André Mans (Blogy)

Primeira etapa eles servem um matcha com infusão de melão incrível, para limpar seu paladar para apreciar os sabores de porco mil, segundo eles. Aí chega mortadela com castanha, pão da casa, manteiga de banha de porco (sensacional), um consumê e um cuscuz. O prato se chama café da manhã e você já se sente na fazenda. Tudo muito gostoso e fresco. Eu odeio mortadela mas essa era tão diferente, não tinha aquela gosto de gosma processada das mortadelas vendidas no mercado e a manteiga foi o ponto alto. Consumê também estava deliciosa.

Logo na sequência chega um quibe com carne de porco crua (relaxa, é seguro), tenro e bem saboroso. Sim, tem sabor de quibe porém com porquinho. A beringela parmegiana é um canapé que dá para comer uns 800 de uma vez, o sushi de porco é uma explosão de sabor, não à toa um dos pratos mais famosos e pedidos. Até aqui tudo com sabor marcante com pratos que demonstram a diferença entre cozinheiro e chef de cozinha. Há ousadia e execução precisa. Fazer experimentação não é para qualquer um.

Foto: André Mans (Blogy)

Panceta com goiabada é um dos pratos mais famosos e feito com maestria. Extremamente suculento e com pururuca perfeita.  Aí chega a versão deles da boa e velha feijoada e sim é um êxito. Esse verdinho ao redor é um caldo de couve, o picles de maxixe é presença preguiçosa (ingrediente da moda), mas a explosão de sabores é real. 

Agora começa a parte que me decepcionei um pouco. Os pratos principais deixaram a desejar. Churrasquinho de porco vem numa redoma com fumacinha de cheiro defumado incrível remetendo a brasa de um bom churras porém há melhores por aí. A linguiça é muito boa mas pouco inspirada e com excesso de sal, a costelinha faltou tempero. 

O último prato é o carro chefe da casa, o Porco Sanzé que é feito inteiro na brasa lentamente por aproximadamente 7 horas. A carne veio fria, seca e sem sabor. Pedia urgentemente um limão e a pimenta da casa (uma das melhores que provei). Os acompanhamentos, no entanto, estavam incríveis. Destaque para o tartar de banana com uma acidez perfeita e a melhor couve da minha vida. A farofa de farinha com manteiga de garrafa, sensação também. Mas a estrela da casa, o porco, não tava bom não, o ponto nitidamente passou. Acho que dei azar.

Foto: André Mans (Blogy)

E pra fechar a sobremesa que comemora a Pamonha em suas inúmeras variações. Não consigo descrever a delícia que é essa mistura de sorvete de queijo de cabra com milho. Uma das sobremesas mais bem sucedidas que provei.  E não tem porco aqui rs.

Dica: peça drinks! O Blood Mary feito com vinho do porto é um tesão.

E foi isso. A Casa do Porco Bar entrega exatamente o que promete e seu conceito é brilhante e mega brasileiro. Não é pomposo e nem quer ser. É comida de verdade com muito sabor e algumas brincadeiras por trás disso. É sabor de memória afetiva, comida de vó, que abraça o estômago. Merece o hype mas não entendo sua colocação de número 39 na lista, talvez tenha mais significado para quem não mora no Brasil.

Voltaria? Super! O cardápio a la carte é de salivar e fiquei com vontade de provar várias outras coisas. Talvez no menu degustação tenha faltado um bacon, um torresminho... mas valeu muito a pena. 


A CASA DO PORCO BAR | SITE
R. Araújo, 124 - República, São Paulo.SP
MORRE QUANTO? R$ 150 p/pessoa (menu degustação).

Um comentário:

  1. AMEI ESSA SEÇÃO JÁ QUERO O PRÓXIMO URGENTE ANOTANDO TUDO

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